Carraças | Ticks

Continuando a desenvolver o tema da importância da desparasitação externa, hoje falamos sobre carraças.

Atenção que a querida Nai – a cadela linda da fotografia – não tem nenhuma!!

“Hoje irei falar acerca de outro parasita externo, a carraça. Tal como as pulgas, também as carraças se alimentam de sangue, não apenas do cão mas de outros tantos mamíferos. É por serem importantes transmissores de doenças que merecem toda a nossa atenção. São parasitas que preferem os meses mais quentes de verão, mas que em climas amenos poderão estar presentes durante todo o ano. 
Com certeza já ouviu falar na febre da carraça. Esta doença é provocada por um ou vários microrganismos que a carraça inocula no sangue do hospedeiro quando se alimenta do seu sangue. Leu bem, sim, hospedeiro. Isto porque mesmo o Homem pode vir a sofrer desta condição se for mordido por uma carraça, sendo por isso considerado um assunto de Saúde Pública. 
Maioritariamente as carraças infectam o cão com outros parasitas, como é o caso da Babesia, ou com bactérias, como exemplo a Rickettsia ou a Erlichia. Obviamente que nem todas as carraças irão transmitir estes microrganismos, pois para isso, terão de ter mordido um outro animal infectado para poderem ser portadores destas bactérias e/ou parasitas.
Sabia que para se alimentar, a carraça injecta saliva com propriedades anticoagulantes no hospedeiro, permitindo assim uma alimentação constante do sangue deste? É também deste modo que que vai transmitir os agentes infeciosos no animal.
Estão descritas formas agudas, subagudas e crónicas da febre da carraça e a variabilidade dos sintomas está relacionada com diversos factores, como é o facto de existirem múltiplos agentes causadores desta doença, o próprio sistema imunitário do hospedeiro, outras doenças que possam surgir na mesma altura, etc.
Para um Médico Veterinário diagnosticar esta doença, terá de olhar para os sintomas descritos pelo dono e pela observação do animal na consulta, podendo muitas vezes haver febre, falta de apetite, prostração, perda de peso, mucosas pálidas, alterações oculares e até mesmo sintomatologia nervosa, sendo exemplo as convulsões ou alterações na locomoção. Haverá igualmente um historial de presença de carraças, mas o diagnóstico conclusivo envolve a detecção do agente através de análises sanguíneas enviadas para laboratórios específicos.
No que respeita ao tratamento, são notórias as melhorias após 48 a 72 horas do inicio da medicação, apesar do prognóstico não ser tão favorável quando se trata animais com a forma crónica da doença. 
Sendo assim, sublinhamos a importância da prevenção desta doença, com a aplicação de produtos que previnem as mordidas das carraças. Aconselhamos vivamente a falar com o Médico Veterinário do seu patudo, pois é quem saberá certamente mais e melhor sobre como ajudar a impedir que estas situações ocorram. Existe igualmente uma vacina contra a Babesia mas a sua eficácia está um pouco limitada por envolver apenas um dos agentes desta doença. Contudo, não deixa de ser uma boa ferramenta para o combate à febre da carraça.
Não esquecer que se trata de uma zoonose, ou seja, uma doença que atinge tanto animais como o Homem. Não há qualquer problema em contactarmos com animais doentes, apenas temos é de estar precavidos para uma carraça não nos morder.”

Texto: Dr.ª Maria Horta E Costa
HVS-Hospital Veterinário Sintra

Fotografia: Whom Creative Studio – Samoa Kai the Super Mutt
Modelo: Nairobi (já foi adoptada!! Obrigada Camila Martins Fassi

Desparasitação externa | External worming

Com a chegada do calor (e tão bem-vindo que é), chegam também em força aqueles bicharocos que por vezes notamos a vaguear na linda pele dos nossos companheiros de 4 patas.
É bem verdade que a nossa preocupação acerca destes parasitas externos não deve acontecer apenas na primavera e no verão, mas é sem dúvida nesta altura que tanto as pulgas, como as carraças e também os “mosquitos” (mais correctamente denominados “flebotomos”) estão mais activos. Assim queremos relembrar a importância de uma boa prevenção contra estes parasitas externos, que permitirá evitar o aparecimento de doenças complicadas e que podem pôr em risco a vida dos nossos amigos, como é o caso da já tão conhecida doença “Leishmaniose” ou mesmo uma “Febre da Carraça”. Mais tarde iremos abordar estas doenças com mais pormenor mas, para já, relembrar que a opinião do seu Médico Veterinário é fundamental nestes casos, pois ele melhor do que ninguém saberá recomendar a estratégia que se adequa ao seu animal de estimação, tendo em conta todos os factores que podem influenciar nesta tomada de decisão, desde a idade, o local onde vive, o número de animais com que coabita, etc.
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With the arrival of the heat (and so welcome it is), also come in force those bugs that we sometimes notice wandering in the beautiful skin of our 4 leg companions. It is quite true that our concern about these external parasites should not only happen in the spring and summer, but it is undoubtedly at this point that both fleas, ticks and also “mosquitoes” (better known as “phlebotomos”) are more active. So we want to remember the importance of a good prevention against these external parasites, which will avoid the appearance of complicated diseases and that can endanger the lives of our friends, as is the case of the already known disease “Leishmaniasis” or even a ” Tick fever “. Later we will address these diseases in more detail, but for now, remember that the opinion of your veterinarian is essential in these cases, because he, better then anyone, will recommend the strategy that best suits your pet, taking into account all factors that may influence the decision making, from the age, the place where it lives, the number of animals that he cohabits with, etc.
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Texto escrito por | written by:  Dr.ª Maria Horta e Costa, médica veterinária do Hospital Veterinário de Sintra

fotografia | photographer: Basti ⎜ pet photography
modelo | model: Nero Ruff Dog